A diabetes
A diabetes é uma doença sorrateira, silenciosa, que não causa dores e, todavia, lesa milhares de pessoas em todo o mundo. É uma doença que não escolhe idades ou classes sociais.As palavras que aqui redijo, só corroboram a ideia de que, não somos ninguém, que somos meros pedaços de carne e ossos para o consumo dos torrões, e que de nada nos valem os diplomas, a injustiça e o egoísmo dos dias correntes quando o infortúnio se nos afinca no corpo com unhas e dentes. É o testemunho sobre um médico, que, padecendo da diabetes, teve de ser amputado (é cada vez mais elevado o número de amputações) a uma perna pelos seus colegas de ofício, na mesma instituição onde praticava a medicina. De nada lhe serviram os seus conhecimentos científicos, os anos de estudo, tampouco os meios a que tinha acesso para se poder precaver. Num ápice, desceu do pedestal de um doutor de bata branca e estetoscópio, ao homem igual aos demais, ao comum doente envergando um pijama hospitalar à mercê de uma cadeira de rodas e da cooperação alheia. Uma queda deveras vertiginosa mas que ninguém está livre.
Este episódio vivencial é uma espécie de aviso, de que a vigília sobre a diabetes tem de ser constante e que não admite negligência por parte dos portadores, sejam eles médicos ou não. Que controlada, a diabetes permite uma vida activa, saudável e autónoma. (tivemos recentemente o exemplo dos sete jovens diabéticos que se propuseram a subir ao Kilimanjaro e que levaram os seus intentos a bom porto).
Para rematar, dedico estas palavras ao meu pai, que sofre da mesma maleita.


8 Comments:
Quanto à "descida do pedestal de um doutor de bata branca e estetoscópio", penso que é um acontecimento triste para essa pessoa e para os seus.
No entanto, penso que os médicos enquanto profissionais continuam a estar "no pedestal" porque "nós", os potenciais pacientes, continuamos a ser passivos e a olhar para eles como semi-deuses que se podem dar ao luxo de chegar tarde às consultas, sem avisar, de por vezes serem agressivos, frios no seu relacionamento com os doentes, mal educados, arrogantes, etc, etc...
Ser médico é uma profissão respeitável, mas todas as outras também o são, logo defendo que temos o dever de denunciar essas situações e de olhar para os médicos como pessoas a quem pagamos para nos prestarem um serviço com qualidade e eficácia.
Que não seja necessário um mal como a diabetes ou qualquer outro, para nos lembrarmos que somos todos "de carne e osso" e "homens iguais aos demais".
Mas, no fim de contas... vida é mesmo assim... enquanto uns caem outros sobem (nem que seja ao kilimanjaro).
O M está traumatizado com o pediatra do E, que é simplesmente uma besta.
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Este esplendoroso texto com que o excelso Ventura nos brinda mais uma vez, lembra-me de um episódio feliz e assaz engraçado. Mora na minha vizinhança um idoso de nome Malaquias, vizinho muito estimado por toda a população da redondeza. O senhor Malaquias é casado com a afável dona Elizabete, de diminutivo Betty (diminutivo este que pronunciado em bom português resulta num bonito Bétte) e juntos constituem um casal muito feliz. Contudo, Malaquias já vai na casa dos 70 e como o estimado Ventura sabe (a disfunção eréctil não é uma vergonha ok?), no que toca à brincadeira a idade não perdoa. E é por isso que este texto me lembra de história tão bela!
Ora bem, é que quando o Malaquias vem da ervanária com a sua dose de pau de Cabinda que lhe vai permitindo manter a felicidade do seu casamento, ele não se inibe e vem rua fora a gritar: -" Hoje é dia Bétte, hoje é dia Bétte!".
Ah, ah, o amor é lindo!!
Ora como pode ver, meu admirável amigo, nem todas as diabetes são más, algumas são mesmo a razão de viver de uns quantos!!
História bonita esta, não é?
Despeço-me com amizade.
Como encetaste em dizer, a doença nunca é boa para ninguém, nem para quem a vive na pele nem para os entes e amigos que estão por perto. Também é certo, como referiste, que ainda continuamos a olhar para os médicos como semidivindades aos quais se procura um milagre, que por vezes não acontece.
Mas como sabes meu caro, no meu dia-a-dia eu lido com inúmeras situações que por vezes não me passam indiferentes. E esta foi uma delas.
Um dia, ao passar por uma enfermaria vejo este Sr. Doutor numa cadeira de rodas e sem metade de uma perna (é lixado escrever assim, desta maneira crua), todavia, fiquei um pouco incrédulo se era a mesma pessoa que eu via quase todos os dias passar por mim. Só tive a certeza quando perguntei a um colega. Era na verdade o Sr. Doutor que passava por mim todos os dias. Até aqui tudo bem.
À hora de almoço, alguém puxou o assunto e aí, foi um discorrer de palavras entre os cabos rasos do exército hospitalar, onde são os homens de divisas (de diplomas) que põe e dispõe, muitas vezes sem um simples agradecimento.
Uns diziam " Eu já levei o doutor a fazer um raio-x", outros diziam " Estão a ver, eles que não querem saber de nós para nada, agora, neste caso, o doutor precisa de nós, nem que seja para o levar á casa de banho". As conversas eram mais ou menos estas. Mas no fundo, todos tinham um certo pesar perante a situação. Era mais o desabafo e os recalcamentos a falar.
Não é que desejasse, ou deseje, mal a ninguém, mas a vida tem destas ironias, e tal como disse, somos apenas carne para os torrões.
Este doutor, nem era daqueles que eu pudesse apontar o dedo e dizer que fosse mal educado, bruto para os pacientes, etc. Mas depois, curioso como sou, soube que o Sr. Doutor bebia um pouco demais (coisa que nunca deixou transparecer) e quando se deu conta, já não havia remédio se não o do bisturi dos colegas (também deve ter sido doloroso para os colegas).
Tal como acabaste o teu comentário ó Ême (e era como eu ia acabar, tem graça), uns caem e outros sobem. Mas a vida continua. Estes acontecimentos só nos fazem abrir os olhos perante certas coisas e atitudes da existência humana.
Abraços
Meu caro anónimo, você tem deveras uma imaginação fértil. Até com a desgraça dos outros o meu caro consegue fazer rir a malta (pelo menos a mim).
É uma história linda.
Abraços e continua que eu estou cá para defender a tua grande imaginação
Ps:acho que te davas bem nas Produções Fictícias ou coisa parecida
Caro anónimo, a história é deveras bonita, mas há que contá-la com mais exactidão!
Conheci pessoalmente o sr. Malaquias e a dona Betty, bem como a restante família e posso afiançar que não foi o pau de cabinda, mas sim os filhos (gémeos) do casal os grandes responsáveis pela resolução do problema de disfunção eréctil do sr. Malaquias. Esses sim, são uns verdadeiros génios da medicina!
Já há muito que não os vejo...hoje em dia são adultos e sei que têm uma empresa de sucesso: a "Vaz & Lina, Lda. - Montagens e Coberturas Rápidas"
Albino Gouveia
P.S. a seu pedido, aqui vai:
- "Função eréctil não é uma vergonha ok?" (pronto, já disse...)
LOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL
Parece que temos um segundo anónimo à altura.
Abraços
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