Tuesday, October 25, 2005

RTP Memória

Depois da exibição da saudosa série Duarte & Companhia, a RTP Memória faz-me de novo embarcar e visitar a minha infância, mais precisamente no início dos anos 80, com o primeiro episódio, “A prima Cláudia”, da série Retalhos da Vida de um Médico, baseado na obra de Fernando Namora. Neste episódio é retratado a infância do futuro médico e as suas dificuldades para ingressar na Universidade, visto ser um filho de pais pobres e provincianos, e fala-se do seu primeiro caso humano como médico: a doença e a morte do marido da sua prima Cláudia.
Vi a apresentação desta série num Domingo à tarde, e à noite, lá me espraiei no sofá à espera que encetasse. As reminiscências que tinha desta série eram parcas. Lembrava-me somente que o protagonista era um médico bondoso que, com a sua maleta, atravessava montes ermos para cuidar dos mais desfavorecidos. Era um médico do povo. Vi o episódio com verdadeira nostalgia, apesar de agora, com os nossos olhos de adulto, notarmos a diferença entre os meios de trabalho da altura e os de hoje. Mas isso pouco importou. A RTP Memória funcionou como uma máquina do tempo.
Nesses tempos idos, sabia lá eu que retalhos de vida eram aqueles, sabia lá eu quem era Fernando Namora, ou o que era ler um livro. Mas o tempo fluí como um rio, sem cessar, e nós adquirimos os conhecimentos que a vida nos oferece. Esse bocado passado colado à caixa mágica teve para mim outro entendimento.
Depois do final do episódio levanto-me, dirijo-me à minha estante de livros e rebusco um para me ajudar a procurar o sono. Releio o retalho d“A prima Cláudia”, pouso o livro, apago a luz e adormeço.
in Jornal Destak
10/Nov./2005

9 Comments:

At 11:00 PM, Blogger Eva Luna said...

Lembro-me bem dessa série e de como a achava chata, tenho ideia de ser muito parada. Quanto ao Duarte e Companhia a história é outra, era mesmo divertida e só de pensar que eu não percebia por que razão a Joaninha dava murros aos homens que olhasse para as suas mamocas...
Santa Ingenuidade...

 
At 12:51 AM, Anonymous Anonymous said...

E que mamocas!!
O Duarte e Companhia tinha todos os condimentos de uma série all-targeted: bola (literalmente), pancada (dá-lhe rocha!), tunning (ganda Diana), história dos povos (quem não se lembra do chefe átila), e moda (as belas mini-gravatolas salpicadas de óleo do pastel de bacalhau do gordo).
Melhor que tudo isto junto só as patilhas do engenheiro Sousa Veloso ao domingo de manhã (paz ao senhor).

J

 
At 10:52 PM, Blogger MA said...

O quanto invejei aquele carro...

 
At 1:49 PM, Anonymous Anonymous said...

Tanto que hoje tens um. :-)
k9

 
At 11:38 AM, Blogger Eva Luna said...

A estragar-se à porta... Tem vergonha ó Eme, vai tratr do carro...

 
At 6:14 PM, Blogger Pedro Ventura said...

Deus dá nozes a quem não tem dentes. :-)

 
At 1:14 AM, Blogger MA said...

"Deus dá nozes a quem não tem dentes"...não é de admirar...quem escreve direito por linhas tortas não merece muita credibilidade no que respeita à distribuição equitativa e justa de frutos secos no planeta!

 
At 9:19 PM, Anonymous Anonymous said...

É sempre bonito descobrir que apenas aprendeu a ler tarde! O reconhecimento dos defeitos precoces só está ao alcace dos maiores, como o caro Ventura!!
Ai, meu malandro analfabeto!

Despeço-me com amizade!!

 
At 9:20 PM, Anonymous Anonymous said...

Ps: o engenheiro Sousa Veloso ainda é vivo, velhinho mas vivo.

 

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