Tuesday, September 13, 2005

Rua Augusta (parte 2)


Eu sou apologista da ideia de que quem nos aborda na rua não é para nos dar nada. E todo o santo dia, ao passar pela movimentada Rua Augusta, afadigado de mais um dia de trabalho, sou abordado por jovens que querem saber a minha opinião sobre alguma coisa, e que depois nos dizem para irmos com eles algures. Eu sigo o meu passo e fecho-me num silêncio férreo. No entanto, eles continuam no meu encalço com palavras do tipo: “ Não é para dar dinheiro”, “Ajude-me a fazer o meu trabalho”, “ É só umas perguntinhas”, etc. E eu nada. Acelero (fazem-me acelerar o passo, quando eu quero caminhar lentamente somente com os meus pensamentos) o passo até eles desistirem. Eles já me devem conhecer, no entanto persistem em romper com o meu silêncio. Tudo bem que as pessoas têm de trabalhar, e este é o trabalho deles, mas não tenho pachorra. No dia que eles ouvirem algumas palavras da minha boca, eu apenas lhes direi: “Não me querem dar nada, pois não? Então deixem-me ir para casa descansado, por favor. Não me incomodem num momento que é só meu.”
in Jornal Destak
13/Set./2005

1 Comments:

At 3:33 PM, Blogger Sem said...

Tens toda a razão, ao fim do dia não há paciência nenhuma para vendas forçadas. Gostei do teu blog. Parabéns!


http://claudiarocha.blogspot.com

 

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