Sunday, April 24, 2005

Fama


Aqui confesso: ainda não li o retumbante sucesso de Dan Brown, O Código da Vinci. Talvez por falta de tempo e coragem para me dedicar àquela encadernação de grossa lombada, talvez por ter uma pequena aversão a romances que já venderam 25 milhões de cópias, ou talvez por ter outros interesses literários. Não quero deixar aqui uma impressão desvalorativa ou qualquer tipo de pretensiosismo em relação à obra, ou qualquer tipo de afronta a quem os lê. Pelo contrário, as críticas que oiço são deveras favoráveis.
Esta introdução tem apenas um motivo: falar sobre um artigo que li, não sobre o Código propriamente, mas sim sobre o autor e sobre a fama em torno da sua pessoa. Nesse artigo, o autor dizia que tivera de deixar de andar de avião, para evitar as intermináveis solicitações de autógrafos. Quanto a mim, bem podia estar ao meu lado, que eu não iria reconhecer, e muito menos o chatear. Dizia também, que ele era apenas o tipo que escreveu o livro e questionava-se como é que as verdadeiras celebridades conseguiam gerir a fama. Que era difícil lidar com tanta gente no seu encalço a pedir um rabisco apressado, num qualquer papel de ocasião. Apesar de tudo, o autor declarava que todo o alarido em seu torno por vezes também poderia ser frutífero. Dizia que a fama já o salvara de incómodas situações, como uma vez que estava num aeroporto em Boston pronto para embarcar e que ao levar a mão ao bolso se apercebeu de que deixara os documentos em casa. Como é que ele se remediou do precalso? Apercebendo-se de que um passageiro atrás de si tinha o Código na mão, pediu-lho emprestado, utilizando assim a fotografia da capa como prova de identificação, ficando assim resolvido o imbróglio. É caso para dizer, tal como o nosso Fernando Pessa dizia: E esta, hem?!
Realmente, é difícil ser famoso… Se fosse, qualquer um de nós a passar por esta situação, bem poderíamos ir a correr a casa e buscar a documentação, caso contrário ficaríamos em terra…
in Jornal Destak
11/Mai./2005

1 Comments:

At 10:36 PM, Anonymous Anonymous said...

Confesso, estimado Pedro, que padeço do mesmo problema do senhor do texto. A fama pode ser de facto uma coisa aborrecida, e a minha fama de fodelhão precede-me!
Ora, devido a esta justíssima e merecida fama caio por vezes em situações embaraçosas, como o ter de rejeitar a aplicação de mais um autógrafo numa nádega roliça, devido ao extenuante esforço dispendido na atribuição de uma pequena dedicatória no monstruoso peito (44, copa E) de uma camponesa transmontana.
Contudo, também há coisas boas, como o facto de ser cumprimentado com um "Boa noite senhor engenheiro" em todas as casas de alterne em que entro, isto apesar de não ter alcançado mais do que o 6º ano de escolaridade (mas isto é outra história).
Continua no caminho que tens seguido e o Dan Bronw não passará de um menino ao lado do Pedro Ventura, sendo que a fama eterna será certamente tua.
Despeço-me com amizade.

 

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