Friday, April 22, 2005

Urgências urinárias


Não é meu costume verter águas em via pública, mas as excepções abrem-se consoante as necessidades. Aqui há dias, depois de levar a contenção da bexiga quase até ás ultimas consequências, sujeito a que o aparelho urinário me pregasse uma partida, e me molhasse pernas abaixo, encostei-me atrás de uns arbustos de um parque e comecei a regar o capim. Apesar de ser noite, mantive-me em alerta, não fosse ferir as susceptibilidades dos transeuntes. Quem bem me soube!
Mal estava a dar o derradeiro suspiro de alívio, oiço um barulho facilmente identificável, e começo a sentir uma coisa fresca nas minhas pernas. Os aparelhos de rega do jardim, que deviam ser daqueles modernos, que são programados para dispararem água de tempos a tempos, começou a trabalhar. A regadura vinha de todas as frentes. Nem tive tempo de fechar a braguilha. Fiquei com as calças todas encharcadas. Toda aquela contenção que fiz para não passar vergonha, de nada me serviu. Este urgente acto acabou por ter um efeito inverso. Queria verter águas, acabaram por verter águas em mim.
in Jornal Destak
30/Mai./2005

1 Comments:

At 7:49 PM, Anonymous Anonymous said...

bem feita, para aprenderes a não ser porcalhão.

 

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