As bodas
Naquele jantar de comemoração de bodas de prata, circundando a grande mesa de jantar, familiares e amigos escutavam atentamente a conversação dos anfitriões.
- Modo estranho aquele com que me olhaste naquela noite… - proferia o anfitrião – aquele olhar disse tudo, valeu por mil palavras. Recordo-me da tua perna roçar a minha e da sensibilidade com que demos o primeiro e inevitável beijo…
- Ainda bem que assim foi. Já lá vai algum tempo – retorquiu-lhe a mulher.
Os presentes rejubilavam com a rememoração daqueles dois velhos pombinhos, enquanto digestivos eram ingeridos, no à-vontade que é um jantar de pessoas que se prezam muito.
- O Cupido fizera um excelente trabalho… - pronunciou um dos convivas, é irrelevante o grau de parentesco, tão-pouco o de amizade.
Aqueles dois eram um casal exemplo, dentro do casamento e fora dele. Aliança eterna. Na jornada das suas vidas em comum, foram testemunhas de muitas separações, onde a coabitação se tornara impossível, se saturara, e desencontros, quando o destino é caprichoso e nos prega partidas ou as pessoas se esgueiram ao seu mais íntimo desejo.
O anfitrião com o gáudio de um pouco de álcool, e tendo deixado em suspenso a conversa para mais uma golada de whisky velho, remata: - Nessa altura era tudo tão mais simples. Hoje complica-se por tudo e por nada, como se uma relação fosse um bicho de sete cabeças… discute-se como se isso desse algum gozo… - os olhos da sua esposa resplandeciam de orgulho.
Passados vinte e cinco anos do laço matrimonial e somando outros tantos desde o primeiro beijo, ainda os olhares daqueles dois fazem a vez das palavras.
Quem sabe se daqui a mais vinte e cinco anos não estão a comemorar as bodas de ouro, ou daqui a cinquenta, se a vida for generosa e a morte paciente, as bodas de diamante.
- Modo estranho aquele com que me olhaste naquela noite… - proferia o anfitrião – aquele olhar disse tudo, valeu por mil palavras. Recordo-me da tua perna roçar a minha e da sensibilidade com que demos o primeiro e inevitável beijo…
- Ainda bem que assim foi. Já lá vai algum tempo – retorquiu-lhe a mulher.
Os presentes rejubilavam com a rememoração daqueles dois velhos pombinhos, enquanto digestivos eram ingeridos, no à-vontade que é um jantar de pessoas que se prezam muito.
- O Cupido fizera um excelente trabalho… - pronunciou um dos convivas, é irrelevante o grau de parentesco, tão-pouco o de amizade.
Aqueles dois eram um casal exemplo, dentro do casamento e fora dele. Aliança eterna. Na jornada das suas vidas em comum, foram testemunhas de muitas separações, onde a coabitação se tornara impossível, se saturara, e desencontros, quando o destino é caprichoso e nos prega partidas ou as pessoas se esgueiram ao seu mais íntimo desejo.
O anfitrião com o gáudio de um pouco de álcool, e tendo deixado em suspenso a conversa para mais uma golada de whisky velho, remata: - Nessa altura era tudo tão mais simples. Hoje complica-se por tudo e por nada, como se uma relação fosse um bicho de sete cabeças… discute-se como se isso desse algum gozo… - os olhos da sua esposa resplandeciam de orgulho.
Passados vinte e cinco anos do laço matrimonial e somando outros tantos desde o primeiro beijo, ainda os olhares daqueles dois fazem a vez das palavras.
Quem sabe se daqui a mais vinte e cinco anos não estão a comemorar as bodas de ouro, ou daqui a cinquenta, se a vida for generosa e a morte paciente, as bodas de diamante.


0 Comments:
Post a Comment
<< Home