Ao encontro de Saramago
Hoje acabei o dia de uma forma que jamais me passava pela cabeça. Ao sair do meu trabalho, recebo uma mensagem no telemóvel: “ Hoje, biblioteca da Moita, sessão de autógrafos com José Saramago, às 19h.” Cheguei ao Barreiro entusiasmado, fui a casa, arranjei-me (quer dizer, lavei a cara os dentes e dei um jeito no cabelo), escolhi um livro do Saramago para o autógrafo e saí. Às sete em ponto estava na biblioteca da Moita com o Ensaio Sobre a Cegueira e com o meu texto sobre o Saramago que saiu no Destak, e que faz parte deste blog, debaixo do braço. Pensava que aquilo estava à pinha, mas não. Acho que fui um dos primeiros a chegar. Entrei, dei uma vistoria pela biblioteca (diga-se que é uma boa biblioteca), e fui apanhar ar. Esperei, aspirando cigarros, dissimulando um nervoso miudinho que se instalou em mim não sei bem porquê. Se calhar até sei. Saramago é uma das minhas maiores referências para escrever, e eu estava ansioso e expectante. Enquanto esperava, olhava os carros que passavam. Cada vez que passava um carro de alta cilindrada pensava para mim “Aí vem”. Mas nunca era. Nunca é quando esperamos muito. E, quando menos esperava, eis que o homem chega, num Mercedes. Abrem-lhe a porta de trás e ele sai. Fato negro e gravata. Eu parecia que estava ali a fazer de cicerone. Esperei que ele entrasse á minha frente, como se lhe quisesse mostrar respeito (e é isso mesmo que sinto, respeito e admiração). Comecei a observa-lo. Primeiro, foi fazer a visita á biblioteca e só depois é que se sentou à mesa ornamentada com um bonito arranjo de flores, onde iria começar assinar as suas obras que não são dele, mas de todos nós.Saramago é mais alto do que parece, é esguio, aparenta menos idade e está muito bem cuidado. Reparei nas suas mãos, o seu instrumento de trabalho. Tem umas mãos bem tratadas e os dedos compridos. Eu fui o terceiro a chegar-me à sua beira, e a falar-lhe baixinho, para o que eu dissesse ficasse só entre nós. Pergunta-me o nome sem dizer palavra e eu respondo-lhe. Primeiro assina o livro e depois peço-lhe para me assinar o tal texto sobre ele e dou-lhe uma cópia do mesmo. Trocamos duas ou três palavras e despeço-me com um aperto de mão. Saio feliz, muito feliz. Não me peçam para explicar porquê. Já falei com muita gente conhecida (no meu trabalho), desde pessoas do teatro, do futebol, etc., e sempre fiquei indiferente e nunca tive a ideia de pedir um autógrafo. Mas desta vez não. Fui lá, e fiz muito bem ir.
No caminho para casa talvez tivesse as ideias mais fluidas para escrever sobre tal acontecimento. Mas por vezes perdendo o momento de euforia muitas palavras se esquecem. Estas palavras não têm pretensão de ter qualquer significado senão a do desabafo e da partilha.
Acabo só por dizer que é bom que a pessoa que amamos saiba daquilo que gostamos. Por isso meu amor, agradeço que me tenhas avisado de uma coisa que eu não sabia. Sem saberes deste-me uma grande prenda.


8 Comments:
Tu és muito lindo e eu tenho muito orgulho em ser tua amiga.A partilha deste texto e destes sentimentos foi o maior presente de aniversário que me podias ter dado. És maior do que o Saramago, pelo menos para mim.
Ah! Eu também teria escolhido o ensaio sobre a cegueira, é demais...
Bjos
canina:
trocámos e não troca-mos..... já te disse trinta mil vezes: o -mos- nunca se separa......caramba pá!!!!
beijinhos,
sandrita
A senhora tem toda a razão. Para a próxima levo uma orelhas de burro e viro-me para a parede.
Bjos
K9
Sorte a tua canina,parabens por teres conhecido o teu idolo.Eu é que não tenho grandes esperanças de conhecer o meu, acho que é impossivel!!! Neil Young, quando vieres a Portugal arranja uma sessão de autografos.Cumprimentos!!!
muito bem, assim com o erro corrigido fica bem melhor!
sempre a darem na cabeça do pobre Ventura...irra!
O rapaz escreve bem, tem é alguns teclapsos ortográficos!
(º_º)
meu amigo tenho muito orgulho em ti e amo-te....
Nao tens que me agradecer,amor,tu mereces!beijao
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