Tuesday, November 30, 2004

O grande Deus

É Novembro. No ecrã da televisão já se nota que a época natalícia está a chegar. As retinas começam a ser bombardeadas persistentemente de publicidade, que incita ao consumo. Das Barbies às Playstations, dos perfumes aos relógios... O rol de sugestões é variado. Nas ruas da metrópole, os trabalhos de ornamentação luzidia vão bem avançados. As montras transformam-se da noite para o dia, vestindo novas roupagens. Os produtos acenam-nos, piscam-nos o olho para que os adoptemos. Certa vez, li um artigo que dizia: " Muitos portugueses contraem empréstimos para comprar as prendas de Natal que, invariavelmente, acabam esquecidos. Largam a nota que têm e a que não têm... ". Que loucura!.. Os mais precavidos antecipam-se nas compras, os demais, como é comum das nossas gentes, guardam para a última (irremediavelmente influenciados), a jornada alucinante aos imponentes centros comerciais. Autómatos consumidores, de cartão de crédito em riste, movidos e hipnotizados pelo grande Deus que é a publicidade. George Orwell diz, e com razão, que o homem é o único ser que consome sem produzir. Não é que desgoste desta época do ano, nem é por falta de tinta gasta sobre este tema que escrevo estas palavras, mas esta faceta do Natal assusta-me. Dá-me que pensar... Porque enquanto muitos se deixam levar na corrente esbanjadora, e se envolvem na azáfama das grandes superficíes para trocar por dinheiro as ofertas que vão estacionar debaixo do falso pinheiro, muitos mal sabem se terão alguma coisa para comer na noite da consoada. Para esses, que não têm quem se lembre deles, um naco de pão ( não precisa ser bolo-rei ) ou um cobertor vetusto ( porque o frio já enregela muitos ossinhos ) seria a melhor prenda que lhes poderiam dar. Como retribuição, teriam apenas um sorriso de verdadeiro agradecimento, sem hipócrisias quanto à dádiva ( quem em miúdo, não esboçou um sorriso amarelo, ao par de meias que a tia ou a avó deu? ). Este ano apelam à consciência e façam uma oferta diferente. Ofereçam, embrulhado em papel de boa vontade, quem realmente carece. A única garantia que lhes posso assegurar, é que terão um Natal bem melhor.
in Jornal Destak
29/Nov./2005

5 Comments:

At 9:09 PM, Anonymous Anonymous said...

Infelizmente os nossos olhos fecham-se mto mais do que deviam a realidade,infelizmente continuamos a ignorar quem esta nas ruas a pedir...lembro.me de uma vez falares que ias levar uma manta àquele sr.sem abrigo que está eprto da estação dos barcos,lembraste? As vezes um pequeno gesto muda tanto e nós seres egoistas ou demasiado assustados? com os olhos trancados ao que nos rodeia tantas e tantas vezes. Um pequeno gesto realmente não custa nada, basta querer.

obrigada canina. beijinhos
valu

 
At 9:34 PM, Anonymous Anonymous said...

E porque é que há-de ser só no Natal que nos havemos de encher de boa vontade e palavras de caridadde para com o próximo? Porque não havemos nós de na altura mais hipócrita do ano, deixarmo-nos disso mesmo? de hipócrisias? Já o outro senhor dizia: o Natal é quando um homem quer!!!!

Sandra

 
At 12:00 AM, Blogger Pedro Ventura said...

This comment has been removed by a blog administrator.

 
At 12:01 AM, Blogger Pedro Ventura said...

This comment has been removed by a blog administrator.

 
At 12:01 AM, Blogger Pedro Ventura said...

Tens toda a razão minha amiga. Mas a minha profissão faz com que tenha certos e pequenos gestos, que fazem sempre esboçar um sorriso.
Este texto foi feito para um trabalho de economia sobre o consumismo.
Obrigado pelo comentário.

 

Post a Comment

<< Home