Águas
A discussão entre os dois tinha sido acesa
e os insultos cruéis. A tarde estava tão
cinzenta que quase parecia noite.
O carro era conduzido precipitadamente,
com um só destino, de acto em mente.
Algumas gotículas de água brotavam do
firmamento, de uma chuva que se previa,
e deslizavam pelo pára-brisas.
Pára junto a uma enorme e medonha
escarpa, onde o mar, a água, se agitava
violentamente, tal como a discussão que
não se lhe esgueirava da mente.
A água que caía do céu em gotas cada
vez maiores, tapava-lhe a visão do mar.
Antes do corpo tombar para o lado, com a
nascente de água que eram os seus olhos,
lágrimas salgadas como o mar lá em
baixo, ainda se pergunta: mas porque
carga de água isto me aconteceu?
Ouve-se uma rebentação, mas talvez
fossem as ondas.
in Diário de Notícias
( DN Jovem )
02/02/2002
in Jornal Destak
18/Mai./2005


5 Comments:
Parabens Sr.Pedro ventura!É com muita emoção que vejo o teu trabalho ganhar vida.Hoje um Blog amanhã quem sabe uma sessão de autografos na Asa.
E sim,esta historia é formidavel, como todas as outras.
Beijos k9
valu
Esta história faz-me lembrar uma notícia q li num jornal esta semana. Era sobre um senhor q se tentou suicidar no Cabo Espichel depois de discutir com a sua amada, mas qd se lançou da escarpa com o carro, este caiu em cima de outro carro q já lá estava duma suicida da semana anterior, saindo perfeitamente ileso da sua tentativa de suicídio. mal sabia a senhora q se tinha matado na semana antes que ia salvar a vida ao desgraçado do amante de coração partido.....
Se calhar o barulho da rebentação era o de um carro a cair em cima do outro.....
Gosto desta tua história Pedrito....
Esqueci-me de assinar o comentário anterior...
É meu, da Sandra.
lembrei-me agora dum "Haiku" do grande Fernando Grade:
"Chiça; que a menina estuda línguas na Suíça."
achei que podias desenvolver a partir daqui!
beijinhos, Sandra!
Humm... falar de línguas?! Vou ver o que se pode arranjar...
Bjo
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